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Virgílio  ·  a fundação de Roma contada por Laudelino

A Eneida

A resposta romana a Homero: onde Ulisses volta para casa, Eneias abandona a casa para sempre — e paga com a própria felicidade o preço de fundar um futuro que jamais verá.

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≈ 35 min de leitura  ·  a epopeia do dever  e o avesso de Ulisses

Se você leu a Odisseia comigo, guardou uma palavra: astúcia. Toda a viagem de Ulisses gira em torno dela — o homem que resolve pelo engenho o que a força não resolve, e cuja única missão é voltar para casa. Agora eu quero contar a história de um herói construído para ser o exato oposto disso. Ele não é astuto, é obediente. Não volta para casa: perde a casa e nunca mais a terá. Não luta por si nem pela mulher amada: luta por um povo que só nascerá séculos depois de sua morte. O nome dele é Eneias, e o poema é a Eneida — a obra com que Roma, sete séculos depois de Homero, decidiu se dar uma origem à altura da grega.

Quem a escreve é Virgílio, o maior poeta que a língua latina produziu, e ele faz algo audacioso: pega os dois poemas de Homero e os responde de dentro. A Eneida tem doze cantos. Os seis primeiros são a viagem de um sobrevivente de Troia pelo Mediterrâneo — é a Odisseia refeita. Os seis últimos são uma guerra sangrenta pela posse de uma terra — é a Ilíada refeita. Virgílio funde as duas metades de Homero numa só obra e as coloca a serviço de uma ideia que Homero jamais teve: a de que uma cidade — Roma — tinha um destino, e de que valia qualquer sacrifício realizá-lo.

Virgílio ladeado por duas musas, mosaico romano
Virgílio, entre as musas Clio e Melpômene, segurando o rolo da própria Eneida (mosaico romano, séc. III d.C., Bardo, Túnis).

E há uma diferença de temperatura que você vai sentir da primeira à última página. A Odisseia é solar; a Eneida é melancólica. Ulisses ri, engana, se vinga e recupera tudo o que era seu. Eneias quase não sorri: ele carrega, literalmente e figuradamente, um peso nas costas — o passado que precisa salvar e o futuro que precisa erguer —, e o pouco que a vida lhe oferece de felicidade pessoal ele é obrigado a recusar. Guarde já a palavra latina que é a chave de tudo, e que é o avesso da astúcia de Ulisses: pietas. A tradução preguiçosa é "piedade"; o sentido verdadeiro é o dever absoluto para com os deuses, a família e a pátria, acima da própria vontade. Eneias é pius Aeneas — "o pio Eneias" — e é essa palavra que o define como Ulisses é definido pela esperteza.

o autor e a encomendaVirgílio e o encargo de um império

Para entender a Eneida, é preciso entender de que ferida ela nasceu. Públio Virgílio Marão (70–19 a.C.) viveu a década mais traumática da história romana: as guerras civis que despedaçaram a República — César contra Pompeu, e depois os assassinos de César contra os herdeiros de César, romanos matando romanos por quase vinte anos. Quando a poeira baixou, um só homem estava de pé: Otávio, sobrinho-neto de César, que assumiu o nome de Augusto e inaugurou o Império. Roma estava exausta, ensanguentada, e desesperada por uma razão para acreditar de novo em si mesma.

É essa razão que Augusto encomenda, e que Virgílio se dispõe a dar. A Eneida é, sem disfarce, um poema nacional: quer provar que Roma não foi um acidente da história, mas o cumprimento de um plano divino tão antigo quanto a própria queda de Troia. E amarra tudo à casa do imperador — porque o filho de Eneias se chama Ascânio, também dito Iulo, e é dele, diz o poema, que descende a gens Iulia, a família de Júlio César e de Augusto. Ou seja: Virgílio dá ao novo regime uma certidão de nascimento divina, assinada por Vênus, que é ao mesmo tempo mãe de Eneias e ancestral do imperador.

E aqui vem o detalhe que me comove sempre. Virgílio trabalhou onze anos na obra e morreu sem terminá-la — ficaram no texto dezenas de versos pela metade, linhas interrompidas no meio que nenhum editor jamais ousou completar. No leito de morte, insatisfeito, ele pediu que o poema fosse queimado. Foi Augusto quem desobedeceu à última vontade do poeta e mandou publicá-lo assim mesmo, imperfeito. Pense na ironia: a obra que fundaria a identidade de Roma quase virou cinza pelas mãos do próprio autor, e só sobreviveu porque o poder achou que precisava demais dela. Ninguém queima um livro irrelevante — nem para salvá-lo.

o projetoA resposta a Homero: "armas e um homem"

Virgílio não esconde o que está fazendo — pelo contrário, anuncia no primeiro verso, um dos mais famosos já escritos, três palavras que são um programa inteiro:

"Arma virumque cano…" "As armas e o varão eu canto" — o que traz da costa de Troia, fugitivo por obra do destino, à Itália e às praias lavínias. Virgílio — Eneida, I, 1

Leia devagar. "As armas"arma — é a palavra da Ilíada, o poema da guerra. "O varão"virum, o homem — é a palavra da Odisseia, que abre justamente com "o homem" (ándra) de mil ardis. Num só verso, Virgílio declara: vou cantar as duas coisas ao mesmo tempo, a guerra e o herói errante, a Ilíada e a Odisseia, mas costuradas numa história só e apontadas para um alvo novo — a Itália. Não é imitação servil; é uma resposta consciente, de igual para igual, do latim ao grego.

Juno / Hera entronizada
Juno — a Hera romana, inimiga jurada dos troianos; é dela que parte a fúria que move metade do poema.

A máquina divina também é herdada de Homero, com os nomes trocados para o latim. Contra Eneias está Juno (a Hera grega), que odeia os troianos por antigas ofensas e porque sabe, pelo destino, que a descendência deles um dia destruirá Cartago, a cidade que ela ama. A favor dele está Vênus (Afrodite), sua própria mãe, que o protege em cada esquina. E acima dos dois, arbitrando, Júpiter (Zeus), que conhece e garante o fatum — o destino — do qual nem os deuses escapam. Repare na simetria com a Odisseia: lá era Posêidon contra Ulisses e Atena a favor; aqui é Juno contra Eneias e Vênus a favor. Virgílio quer que você reconheça o modelo — e perceba o que ele faz de diferente com ele.

o heróiQuem é Eneias: o herói do dever

Vênus surge a Eneias
Vênus, mãe de Eneias, surge disfarçada para guiá-lo — e é ancestral, pela mesma linhagem, da família de Augusto.

Antes de segui-lo, é preciso entender por que Eneias é um tipo de herói que soa estranho a quem vem de Homero. Aquiles luta pela própria glória. Ulisses luta pela própria casa. Eneias não luta por nada que seja dele — e é exatamente esse o ponto. Ele é troiano, primo da linhagem de Príamo, filho do mortal Anquises e da deusa Vênus. Quando Troia cai, ele perde a cidade, a posição, a mulher. Poderia ter morrido lutando, como um herói homérico faria — a morte bela em combate. Mas os deuses lhe negam até isso: seu dever é sobreviver e levar adiante o que restou, para fundar, numa terra que ainda não conhece, o embrião de uma cidade que ele nunca verá pronta.

Eneias foge de Troia carregando o pai Anquises nos ombros
A fuga de Troia: Eneias carrega o pai Anquises — e os Penates do lar — nos ombros, o filho Ascânio pela mão, e Creúsa a segui-lo por entre as chamas.

É por isso que a imagem mais famosa de Eneias não é de espada em punho, e sim esta: fugindo de Troia em chamas com o pai idoso Anquises nos ombros, o filho pequeno Ascânio pela mão, e nas mãos do velho os Penates — as imagens sagradas dos deuses do lar. Nessa única cena está tudo o que Eneias significa: nas costas, o passado (o pai, os deuses dos antepassados); pela mão, o futuro (o filho, a semente da estirpe). Ele é o homem que carrega os dois de uma vez, atravessando o fogo. Onde Ulisses é engenho, Eneias é peso — o peso de uma missão que não escolheu e não pode largar.

Isso o torna, é honesto dizer, um herói mais difícil de amar. Ele chora, hesita, gostaria de desistir — e mesmo assim obedece, sempre. Muitos leitores acham Eneias frio ou passivo perto de Ulisses. Eu prefiro pensar que Virgílio inventou, de propósito, um heroísmo novo, mais amargo e mais adulto: o do sujeito que abre mão da própria felicidade porque algo maior que ele depende disso. A pietas não é uma virtude confortável. É uma renúncia contínua.

canto IIA queda de Troia, contada por quem fugiu dela

Como Homero na corte dos feácios, Virgílio não começa pelo começo: abre com Eneias já náufrago em Cartago, sendo convidado pela rainha a contar sua história. E o que ele conta, no canto II, é a noite mais terrível já narrada na Antiguidade — a queda de Troia vista de dentro, pelos olhos do lado que perdeu. Lembra do cavalo de madeira, a artimanha gloriosa de Ulisses na Odisseia? Aqui você o vê pelo avesso: não como triunfo, mas como a ruína de um povo inteiro.

O grupo escultórico de Laocoonte e seus filhos
Laocoonte e os filhos, estrangulados pelas serpentes por terem alertado contra o cavalo (grupo helenístico, Museus Vaticanos).

O sacerdote Laocoonte desconfia do presente abandonado na praia e lança um dos versos mais citados de toda a literatura latina, um aviso que virou provérbio contra presentes de inimigos:

"Timeo Danaos et dona ferentes." "Temo os gregos, mesmo quando trazem presentes." — E crava a lança no flanco do cavalo, que soa oco. Laocoonte — Eneida, II, 49

Ele tinha razão, e foi punido justamente por isso: duas serpentes descomunais saem do mar e o estrangulam, com os dois filhos, à vista de todos — o que os troianos, mal interpretando o presságio, tomam como sinal de que ele ofendera os deuses ao golpear a oferenda. Cai por terra a última voz da prudência. Ajuda no engano o grego Sínon, um mentiroso deixado para trás de propósito, que se finge de desertor e convence os troianos, com lágrimas, a arrastar o cavalo para dentro dos muros. À noite, do ventre oco descem os guerreiros — e Troia arde. Note a inversão: o que na Odisseia era a coroa da astúcia de Ulisses, aqui é uma traição cruel contra gente que confiou. Muda o narrador, muda a moral da mesma cena.

A morte do rei Príamo diante do altar
A morte de Príamo: o velho rei degolado por Pirro, filho de Aquiles, no próprio altar de sua casa (Jules Lefebvre).

Eneias desperta com a cidade em fogo. O fantasma de Heitor, morto na Ilíada, aparece-lhe em sonho e ordena que fuja levando os deuses da pátria — não é hora de morrer lutando, é hora de salvar o que continua. Eneias resiste, quer combater, quer morrer com honra; mas assiste ao pior: o velho rei Príamo, refugiado no altar, degolado por Pirro, filho de Aquiles, à frente da rainha e das filhas. Quando entende que Troia acabou de fato, Eneias faz o que a pietas manda: ergue o pai Anquises nos ombros, toma o filho pela mão e atravessa as chamas.

E paga o seu preço particular. No caos, perde a esposa, Creúsa, que ficara para trás. Volta desesperado à cidade em chamas para procurá-la e encontra apenas o seu fantasma, que lhe diz, com uma doçura de partir o coração, para não chorar por ela: aquilo não era um acaso, ele tem um destino a cumprir, um longo exílio pela frente, um reino e uma nova esposa à sua espera em terra distante. Três vezes ele tenta abraçá-la; três vezes os braços se fecham no vazio — a mesma imagem exata com que Ulisses tentara abraçar a sombra da mãe no Hades. É a primeira das muitas perdas que a missão vai lhe cobrar: a primeira mulher que Eneias ama e a quem a fundação de Roma obriga a abrir mão.

canto IIIAs andanças pelo Mediterrâneo

Segue-se, no canto III, a parte mais "odisseica" do poema: sete anos de errância de porto em porto, com uma frota de sobreviventes, procurando a pátria prometida sem saber ainda onde ela fica. Virgílio percorre aqui as mesmas águas de Ulisses — de propósito, para que sintamos a diferença. Os troianos aportam em falsas Troias que tentam refundar e das quais a peste ou os presságios os expulsam; ouvem oráculos ambíguos que só aos poucos vão decifrando ("busquem a antiga mãe", isto é, a Itália, de onde teria vindo um ancestral remoto).

Encontram as Harpias — monstros de mulher e ave que sujam os banquetes —, e sua rainha, Celeno, lança uma profecia sinistra de fome. Tocam a terra dos Ciclopes e recolhem um grego esquecido por Ulisses, testemunha aterrorizada de Polifemo — um encontro em que a Eneida literalmente cruza com a Odisseia. Passam por Butroto, onde reencontram, vivos, Heleno e Andrômaca — a viúva de Heitor —, que reconstruíram ali uma Troia em miniatura, um retrato pungente de quem se aferra ao passado em vez de seguir adiante; é o contramodelo de Eneias, que precisa largar Troia para poder fundar Roma.

E é neste canto que se dá a perda mais silenciosa e mais funda de todas: em Drépano, na Sicília, morre Anquises, o pai. O homem que Eneias carregara nos ombros para fora do incêndio se apaga em paz, mas Eneias fica órfão do seu guia, do seu conselho, da voz que dava sentido à viagem — justamente às vésperas da provação maior. É com esse luto fresco que a tempestade vai jogá-lo na praia de Cartago. E aqui a narrativa dá a volta e alcança o presente: fecha-se o relato à mesa da rainha Dido, e nós já sabemos quem é o estrangeiro que ela hospeda.

Mapa da viagem de Eneias, de Troia à Itália, passando por Cartago
O périplo de Eneias: da Troia em ruínas, pelas costas da Grécia e da Sicília, ao desvio forçado por Cartago, até desembarcar no Lácio, na Itália — onde a viagem termina e a guerra começa.

canto IA tempestade e a chegada a Cartago

Recuemos ao ponto em que o poema de fato abre. Juno, vendo os troianos já perto da Itália, não se contém: suborna Éolo, o senhor dos ventos, para soltar uma tempestade que despedace a frota — o mesmo Éolo que aparecera na Odisseia, agora do lado do inimigo. O mar quase engole Eneias, que, no auge do desespero, chega a invejar os que morreram em Troia, "sob os altos muros", uma morte com testemunhas e honra. É Netuno quem acalma as águas, irritado com a intromissão em seu domínio, e os sobreviventes arrastam-se, exaustos, à costa da África.

A tempestade destroça a frota troiana
A tempestade de Juno despedaça a frota; Netuno acalmará as águas e salvará os que restam.
Dido dirige a construção de Cartago
Dido edifica Cartago: a rainha viúva, fugida de Tiro, ergue no exílio a metrópole que um dia rivalizará com Roma.

Ali se ergue Cartago, cidade nova e próspera, governada por Dido — uma rainha viúva, fugida de Tiro, onde o próprio irmão assassinara seu marido pela cobiça do ouro. É uma mulher forte, admirável, que reconstruiu a vida do zero e edifica uma metrópole no exílio, exatamente como Eneias precisa fazer. Vênus, temendo por seu filho, arma então a peça que porá tudo a perder: faz Cupido, disfarçado do menino Ascânio, incendiar o coração de Dido de amor por Eneias. Quando a rainha ouve, à mesa, o relato inteiro da queda de Troia e das andanças, já está perdidamente apaixonada. E começa a única história de amor da Eneida — que é, não por acaso, a mais famosa e a mais devastadora.

canto IVDido, ou o preço do destino

Dido e Eneias, o encontro no banquete
Dido e Eneias: a rainha de Cartago acolhe o náufrago e por ele arde de amor (o encontro, segundo os pintores do XVIII).

O canto IV é uma tragédia inteira embutida na epopeia, e é, para muitos, o ponto mais alto do poema. Dido e Eneias se amam. Durante uma caçada, uma tempestade — armada de novo pelas deusas — os empurra a uma caverna, e ali se unem; Dido chama aquilo de casamento. Por um tempo, o exilado e a rainha vivem uma felicidade real: ele ajuda a erguer as muralhas de Cartago, esquecido da Itália, e você quase torce para que fique. Um herói comum ficaria. Aqui estava tudo o que Eneias perdera — um reino, uma rainha que o ama, uma cidade a construir. Bastava dizer sim.

Eneias despede-se de Dido em Cartago
A despedida: chamado de volta ao dever, Eneias apronta em segredo a partida — e Dido, traída, o enfrenta antes do fim.

Mas o destino não permite. Júpiter, do alto, vê Eneias "esquecido do seu reino" e envia Mercúrio para chamá-lo de volta ao dever com uma dureza que ainda dói: essa terra não é a tua, esse trono não é o teu, pensa ao menos no futuro de Ascânio, a quem estás roubando a Itália e Roma. E Eneias — este é o instante decisivo do seu caráter — obedece. Prepara em segredo a partida. Dido descobre, e vem o confronto mais lancinante do livro: ela o acusa de traidor, suplica, humilha-se; e ele responde com a frase que resume toda a sua tragédia — e toda a crueldade da pietas:

"Italiam non sponte sequor." "Não é por vontade própria que busco a Itália." — Não te deixo por escolha, Dido; deixo-te porque um deus e um destino maior que nós dois me arrancam de ti. Eneias a Dido — Eneida, IV, 361

É a essência do herói virgiliano numa linha. Ele não quer partir; parte porque deve. Não há astúcia que o salve dessa escolha, nem prazer que ele possa, como Ulisses, se permitir sem culpa. A felicidade pessoal é, para Eneias, um luxo que o destino de Roma lhe proíbe.

A morte de Dido sobre a pira
A morte de Dido: abandonada, a rainha se lança sobre a espada de Eneias, no alto da pira (Guercino / tradição barroca).

Dido não sobrevive ao abandono. Manda erguer uma imensa pira com o pretexto de queimar tudo o que fora dele, sobe nela e, com a espada que o próprio Eneias lhe deixara, tira a própria vida — enquanto, no horizonte, as velas troianas já se afastam. Mas antes lança uma maldição que Virgílio, e todo leitor romano, entendiam de imediato como uma bomba-relógio histórica: que dos seus ossos surja um dia um vingador para perseguir os descendentes de Eneias com fogo e ferro.

"Exoriare aliquis nostris ex ossibus ultor." "Que te levantes, ó vingador, de meus ossos!" — costa contra costa, mar contra mar, arma contra arma: que lutem eles e os seus netos, sem trégua. A maldição de Dido — Eneida, IV, 625

Esse vingador tem nome na história real: Aníbal, o general cartaginês que séculos depois quase destruiu Roma nas Guerras Púnicas. Repare na engenharia de Virgílio: ele transforma uma tragédia amorosa na explicação mítica do maior trauma militar de Roma. O ódio entre Roma e Cartago não teria começado por interesse ou geopolítica — teria começado numa noite em que um homem, obrigado pelos deuses, abandonou a mulher que o amava. O preço de Roma foi sempre pago em sangue de gente concreta. Este é o primeiro grande boleto — e o mais humano.

"Não é por vontade própria que busco a Itália."— A frase de Eneias a Dido é o avesso exato de Ulisses. Onde o grego faz tudo por vontade própria, o troiano faz tudo contra a própria vontade — e é isso que o torna herói.

canto VIA descida ao mundo dos mortos

Depois de uma escala na Sicília, com jogos fúnebres em honra de Anquises (o canto V, espelho dos jogos da Ilíada), a frota chega enfim à Itália, em Cumas. E aqui está o coração do poema — o canto VI, a descida de Eneias ao mundo dos mortos, o mais influente episódio da literatura ocidental depois do Hades de Ulisses, e o modelo direto do Inferno de Dante. Repare de novo no diálogo com Homero: Ulisses desce ao mundo dos mortos para saber como voltar para casa; Eneias desce para saber qual é o seu futuro. Um busca o passado; o outro, o destino.

A Sibila de Cumas
A Sibila de Cumas, a profetisa que guia Eneias à entrada do submundo (Domenichino, séc. XVII).

Quem o conduz é a Sibila de Cumas, a profetisa inspirada por Apolo. Para descer vivo e voltar, Eneias precisa colher o Ramo de Ouro — um galho dourado escondido na floresta, que se entrega de bom grado a quem o destino chama e resiste a quem não é chamado. Colhido o ramo e enterrado um companheiro (Miseno, morto na chegada — o morto que exige sepultura antes da descida, exatamente como Elpenor na Odisseia), os dois entram pela boca do Averno.

O Ramo de Ouro na floresta escura
O Ramo de Ouro que abre a passagem ao mundo dos mortos (Turner, The Golden Bough, 1834).
Eneias e a Sibila atravessam o mundo dos mortos
Eneias e a Sibila atravessam o mundo dos mortos, entre as sombras dos que aguardam à outra margem.

A travessia é povoada de figuras que o Ocidente jamais esqueceria: o barqueiro Caronte, que só transporta os mortos sepultados; o cão de três cabeças Cérbero, adormecido com um bolo de mel; os campos dos que morreram cedo demais. E então, na região dos que morreram de amor, Eneias reencontra Dido. Ele chora, jura que partiu contra a vontade, implora uma palavra. E Dido — este é um dos momentos mais poderosos de toda a poesia — não diz nada. Vira-lhe as costas em silêncio, fria como mármore, e se afasta para junto do primeiro marido. É a mesma cena com que Ájax, ferido no orgulho, se recusara a falar com Ulisses no Hades. Virgílio a repete de propósito, e a torna ainda mais cruel: aqui é a mulher amada, e o silêncio dela é a condenação que o herói terá de carregar sem nunca poder responder.

o centro secretoO desfile dos romanos que ainda não nasceram

Eneias e a Sibila no mundo dos mortos, a caminho de Anquises
Guiado pela Sibila, Eneias atravessa o mundo dos mortos rumo aos Campos Elísios, onde Anquises lhe revelará o futuro de Roma (Jan Brueghel, o Velho).

Vencido o mundo das sombras, Eneias alcança os Campos Elísios, o paraíso dos justos, e encontra quem viera buscar: a alma do pai, Anquises. E Anquises lhe mostra a visão que dá sentido a todo o sofrimento do poema. Ali, à beira do rio Letes, esperam para nascer as almas dos futuros romanos — os que ainda estão por vir, séculos adiante, descendentes daquele exilado esfarrapado. Anquises os aponta um a um, como num desfile: Rômulo, o fundador; os reis de Alba Longa; e, no ponto mais alto, Augusto César, "que de novo fundará a idade de ouro no Lácio". O poema, aqui, deixa de olhar para trás e passa a olhar para a frente: Eneias sofre para que eles existam.

E então Anquises pronuncia o que talvez seja o verso mais célebre e mais discutido da Eneida — a definição que Roma deu de si mesma, a sua missão civilizatória e a sua desculpa imperial numa só respiração:

"Tu regere imperio populos, Romane, memento… parcere subiectis et debellare superbos." "Lembra-te, ó romano, de governar os povos com teu império — estas serão as tuas artes —, de impor o hábito da paz, de poupar os vencidos e abater os soberbos." Anquises — Eneida, VI, 851–853

É de arrepiar e de desconfiar ao mesmo tempo. Anquises admite que outros povos — leia-se: os gregos — farão melhor escultura, melhor eloquência, melhor astronomia. À Roma cabe outra arte: governar. Poupar quem se rende, esmagar quem se ergue soberbo. Há grandeza nisso — e há a justificativa perfeita de todo império que já existiu. Virgílio, o poeta oficial de Augusto, entrega ao seu patrono a fórmula mais nobre possível para o domínio de Roma sobre o mundo. Cabe a cada leitor decidir quanto disso é fé sincera e quanto é a mais bela propaganda já composta.

E, para não deixar você achar que é só triunfo, Virgílio fecha a visão com uma dor íntima: entre as almas gloriosas surge a de Marcelo, o jovem sobrinho e herdeiro de Augusto, morto cedo na vida real, pouco antes de Virgílio escrever. O poeta o mostra como uma promessa que a morte ceifará — e conta a tradição que, ao ler esta passagem em voz alta diante da corte, a mãe do rapaz desmaiou de dor. Mesmo no ápice da glória de Roma, Virgílio insiste: há sempre um preço, há sempre um morto. E há um último enigma que os estudiosos discutem há dois mil anos: Eneias deixa o mundo dos mortos pela Porta de Marfim — a porta por onde, segundo o próprio poema, saem os sonhos falsos. Por que Virgílio faz seu herói voltar da visão do futuro glorioso de Roma pela porta das ilusões? Ninguém sabe ao certo. Mas é uma sombra deliberada, lançada de propósito sobre todo o esplendor que acabáramos de ver.

cantos VII–XIA guerra no Lácio: a Ilíada de Virgílio

A chegada de Eneias ao Lácio, na foz do Tibre
A chegada ao Lácio: desembarcada a frota na foz do Tibre, encerra-se a errância e começa a segunda metade do poema — a aurora do futuro império romano.

Aqui o poema vira de página. Terminada a metade "odisseica", começam os seis cantos de guerra — a Ilíada refeita. Os troianos desembarcam no Lácio, terra do rei Latino, cuja filha Lavínia um oráculo prometera a um forasteiro. Tudo poderia se resolver em paz, com o casamento de Eneias e Lavínia. Mas Juno, incapaz de vencer o destino, decide ao menos adiá-lo e ensanguentá-lo, e pronuncia a frase que é a divisa de todo o seu ódio: "se não posso dobrar os deuses do alto, moverei o inferno".

Turno, o príncipe rútulo, rival de Eneias
Turno, o rei dos rútulos, prometido a Lavínia — o "Aquiles" itálico que Eneias terá de enfrentar.

Juno solta então a Fúria Alecto, que enlouquece de ira a rainha Amata e, sobretudo, Turno — o jovem e valente rei dos rútulos, que era o pretendente natural de Lavínia e agora se vê preterido pelo estrangeiro. Turno é o grande antagonista da segunda metade, e Virgílio o constrói com deliberada grandeza trágica: ele é o Aquiles deste lado, bravo, orgulhoso, arrebatado — e, à sua maneira, também está defendendo o que é seu. A guerra que se acende não é entre o bem e o mal, e sim entre dois direitos, dois povos, dois heróis que o destino jogou um contra o outro.

Eneias, em desvantagem, busca aliados subindo o rio Tibre — e chega a um lugarejo pobre de pastores gregos governado pelo velho e generoso rei Evandro. Virgílio dá aqui um dos toques mais delicados do poema: aquelas colinas humildes por onde Eneias caminha, com gado pastando entre os matos, são exatamente o lugar onde um dia se ergueria a cidade de Roma. O leitor romano andava por aquelas ruas; e o poeta o faz enxergar, sob o mármore da capital do mundo, a aldeia de barro que ela um dia foi. Evandro confia a Eneias o próprio filho, o jovem Palante — guarde esse nome —, para que aprenda a guerra ao seu lado.

E a mãe, Vênus, obtém de Vulcano, o deus ferreiro, um presente à altura do de Tétis a Aquiles: um escudo divino. Só que Virgílio faz do escudo algo genial — nele Vulcano gravou não o cosmos, e sim o futuro de Roma, cena a cena, até o centro, onde brilha a batalha de Áccio: a vitória naval em que Augusto derrotou Antônio e Cleópatra e pôs fim às guerras civis. Eneias ergue nas costas, sem entender, "a glória e o destino dos seus descendentes". Mais uma vez, ele carrega um peso — agora o peso de toda a história romana — sobre um futuro que não pode ver.

Camila, a guerreira volsca
Camila, a virgem guerreira dos volscos, aliada de Turno — uma das mortes mais belas e sentidas do poema.

A guerra é longa e cruel, e Virgílio se recusa a torná-la limpa. Ele nos faz gostar de gente dos dois lados e depois a mata. Do lado troiano, os jovens amigos Niso e Euríalo saem numa incursão noturna e morrem juntos, um tentando salvar o outro — o episódio de amizade mais célebre da poesia latina. Do lado itálico, a virgem guerreira Camila, veloz e indomável, tomba em combate, e o poeta a chora como a uma heroína. Não há vilões descartáveis na Eneida: há apenas vítimas de um destino que precisa se cumprir, e o poema nunca deixa você esquecer o custo humano de cada passo rumo a Roma.

canto XIIO fim abrupto: a morte de Turno

Tudo converge, no canto XII, para o duelo final entre Eneias e Turno — o embate que decidirá a guerra, como o de Aquiles e Heitor decidira a Ilíada. E aqui Virgílio nos entrega um dos finais mais perturbadores e mais debatidos de toda a literatura. Depois de uma trégua rompida e de uma batalha em que Eneias é ferido e curado pela mãe, os dois heróis se enfrentam a sós. Eneias vence: derruba Turno, que fica à sua mercê, ferido no chão.

Dante e Virgílio, na barca do Inferno
Mil e quinhentos anos depois, Virgílio guiaria Dante pelo Inferno e pelo Purgatório (Delacroix, A barca de Dante, 1822).

E então o desfecho. Turno, vencido, não implora covardemente: com dignidade, pede a vida — ou, ao menos, que devolvam seu corpo ao velho pai, invocando a memória do pai de Eneias, Anquises. E Eneias hesita. A mão do vencedor treme. Por um instante, a pietas — a clemência, o "poupar os vencidos" que Anquises pregara no submundo — quase o detém, e você sente que ele vai perdoar. Mas os olhos de Eneias caem sobre um objeto no corpo do inimigo: o talabarte de Palante, o cinturão do jovem que Evandro lhe confiara e que Turno matara e espoliara em combate. A visão o cega de fúria. E Eneias, "inflamado de ira e terrível", crava a espada no peito de Turno. O poema termina — literalmente, na última linha — assim:

"…vitaque cum gemitu fugit indignata sub umbras." "…e a vida, com um gemido, foge, indignada, para as sombras." Os últimos versos da Eneida — XII, 952

É aqui que o poema acaba. Sem epílogo, sem casamento com Lavínia, sem a fundação da cidade, sem os deuses impondo a paz. Compare com a Odisseia: lá, depois do massacre dos pretendentes, Atena descia para reconciliar os inimigos e restaurar a ordem — o sangue cessava, a casa se refazia, a história fechava em harmonia. A Eneida faz o contrário: fecha no instante da vingança, sobre um gemido de morte e uma alma que se vai "indignada". O herói do dever, o pio Eneias, o homem da clemência, termina o poema cedendo à ira que Aquiles cedera na Ilíada. Muitos leitores saem incomodados, e é essa exatamente a intenção. Virgílio nos deixa com a pergunta em aberto: qual foi o preço, na alma do próprio Eneias, de fundar Roma? A obra que Augusto queria como hino de triunfo termina numa sombra — a mesma sombra da Porta de Marfim.

As renúncias de Eneias

Se a Odisseia é um catálogo de astúcias, a Eneida é um catálogo de sacrifícios. O que o herói do dever teve de abandonar:

  1. A morte gloriosa — em Troia, quer morrer lutando como um herói; os deuses o obrigam a sobreviver e fugir.
  2. A própria Troia — precisa deixar arder a pátria e os mortos para poder erguer, longe, uma pátria nova.
  3. Creúsa — perde a primeira esposa no incêndio, e seu fantasma o proíbe até de chorar.
  4. Anquises — carrega o pai nos ombros para fora do fogo, apenas para vê-lo morrer no meio do caminho.
  5. Dido — abandona a rainha que o ama e o reino que lhe oferece, contra a própria vontade, por ordem de Júpiter.
  6. O descanso — recusa cada porto acolhedor e cada falsa Troia, porque nenhuma delas é a terra prometida.
  7. Ver a obra pronta — funda a estirpe de uma cidade — Roma — que só existirá séculos depois de sua morte.
  8. A própria clemência — no fim, sacrifica até o seu ideal de poupar o vencido, matando Turno rendido.

Onde Ulisses ganha pela astúcia, Eneias abre mão pela pietas. É o herói definido não pelo que conquista, mas pelo que renuncia.

o ecoVirgílio depois de Virgílio: a alegoria e Dante

Se você leu o artigo sobre a querela entre a filosofia e a poesia, vai reconhecer o que aconteceu com a Eneida nos séculos seguintes — porque foi exatamente o mesmo que aconteceu com Homero. O poema pagão, cheio de deuses "indecorosos" e de uma teologia que os cristãos não podiam aceitar, foi salvo pela mesma porta dos fundos: a leitura alegórica. Interpretaram que Virgílio, sob a casca da aventura, escondera um sentido mais alto.

Já no século VI, Fulgêncio leu os doze cantos como as idades da vida humana — o naufrágio é o nascimento, a descida ao Averno é a maturidade que enfrenta a verdade sobre si, e assim por diante. No século XII, Bernardo Silvestre refez a leitura como a jornada da alma rumo à sabedoria. A viagem de Eneias, como a de Ulisses nas mãos de Proclo, virou o mapa secreto de uma travessia interior. A mesma pedra, sob uma luz nova.

Vênus entrega a Eneias o escudo forjado por Vulcano
Vênus recebe as armas forjadas por Vulcano para Eneias — no escudo estará gravado o futuro de Roma até a batalha de Áccio (François Boucher).

Mas com Virgílio a veneração cristã foi ainda mais longe do que com Homero, por um motivo curioso. Numa das suas obras anteriores, a Quarta Écloga, Virgílio profetizara o nascimento de uma criança maravilhosa que traria de volta uma idade de ouro. Ele falava, provavelmente, de um bebê real de sua época — mas os cristãos, lendo aquilo séculos depois, viram ali, atônitos, uma profecia inconsciente do nascimento de Cristo. De repente, Virgílio deixou de ser só um poeta pagão: virou uma espécie de profeta involuntário, um justo que, sem saber, entrevira a verdade. Nascia a figura do "virtuoso pagão" — aquele que, mesmo antes e fora da fé, chegou tão perto quanto a razão humana pode chegar.

E é por isso que, mil e quinhentos anos depois, quando Dante Alighieri escreveu a Divina Comédia e precisou de um guia para conduzi-lo pelo Inferno e pelo Purgatório, escolheu justamente Virgílio. O poeta pagão da Eneida — cujo canto VI Dante praticamente decalcou para construir o seu Inferno — torna-se o mestre e a "razão" que leva o peregrino cristão até onde a razão alcança, deixando-o só no limiar do Paraíso, aonde um pagão não pode entrar. É o fecho perfeito da nossa série: o mesmo destino da Odisseia. Um poema pagão condenável pela letra, reabilitado pela alegoria, e por fim venerado por uma cultura que troca a interpretação sem mudar uma sílaba do texto. Homero educou a Grécia; Virgílio, através de Dante, ajudou a educar a cristandade — sem jamais ter sido cristão.

para fecharPor que a Eneida é a mais triste das epopeias

Chegamos ao fim dos três painéis, e agora dá para ver o desenho inteiro. A Odisseia é a epopeia do regresso: um homem astuto luta dez anos para voltar ao que era seu, e no fim recupera casa, mulher, filho, reino — a história fecha em harmonia. A Eneida é o seu negativo exato: a epopeia do exílio sem volta. Eneias não recupera nada; ele abandona tudo — a pátria, a primeira esposa, a mulher amada, o descanso, e até o seu próprio ideal de clemência — para fundar, num futuro que jamais habitará, uma cidade que pertencerá a outros.

É por isso que a Eneida tem um tom que nenhuma outra epopeia tem: uma melancolia grave, uma consciência aguda de que toda grandeza se paga com dor. Virgílio cunhou para isso uma expressão que atravessou vinte séculos e que resume o sentimento de todo o poema — Eneias, diante de um mural que retrata a guerra de Troia numa terra estrangeira, chora ao ver que até ali, no fim do mundo, os homens conhecem e lamentam o sofrimento humano:

"Sunt lacrimae rerum et mentem mortalia tangunt." "Há lágrimas nas coisas, e o que é mortal toca o coração." — Até aqui a desgraça tem suas lágrimas, e a sorte dos homens comove. Eneias, diante do mural de Troia — Eneida, I, 462

É a chave emocional de tudo. Ulisses vive num mundo de aventura em que a esperteza é recompensada. Eneias vive num mundo em que a virtude é uma carga, em que fazer a coisa certa significa quase sempre abrir mão do que se ama, e em que a fundação do maior império da Antiguidade é narrada não como uma festa, mas como um longo sacrifício regado a lágrimas — as de Dido, as de Creúsa, as de Marcelo, as do próprio herói. Roma é grande; e Roma custou caro, a gente de carne e osso.

Talvez seja essa a razão de a Eneida nunca ter envelhecido, apesar de ter nascido como propaganda de um regime. Porque, no fim, ela não fala só de Roma. Fala de qualquer um que já teve de renunciar à própria felicidade em nome de um dever maior — de quem carregou o passado nas costas e o futuro pela mão, atravessando o próprio incêndio, sem certeza de chegar. Ulisses nos ensina a ser espertos para voltar para casa. Eneias nos ensina algo mais duro e mais humano: que às vezes não há casa para onde voltar, e que a única grandeza possível é seguir em frente, carregando o que se ama, rumo a algo que talvez a gente nunca chegue a ver de pé. Se você leu a Odisseia comigo e agora leu esta, conhece as duas metades da nossa herança: a astúcia grega e o dever romano. E não é possível entender o Ocidente sem as duas.

Vá além do texto · Biblioteca do Peregrino

A Eneida na interpretação do Prof. Monir

Você seguiu Eneias, de Troia em chamas até o solo onde nasceria Roma. Agora ouça a leitura da Eneida, de Virgílio, pelo Prof. José Monir Nasser — a interpretação completa no acervo da Biblioteca do Peregrino.

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