O Brasil sem Constituição, São Paulo em ebulição
Depois de 1930, Getúlio Vargas governava em regime provisório. A antiga ordem constitucional fora desmontada, os estados perderam autonomia e São Paulo passou a ver no interventor imposto pelo centro do poder um símbolo da derrota política.
A reivindicação não era pequena: o retorno da vida constitucional, eleições, regras estáveis e fim da excepcionalidade permanente. O discurso paulista, que misturava orgulho regional, ressentimento político e defesa institucional, ganhou as ruas com uma rapidez que Brasília ainda nem existia para imaginar.
O 23 de Maio foi a faísca. A cidade já estava carregada. Grupos políticos se enfrentavam, jornais inflamavam a opinião pública, estudantes e populares ocupavam o centro. Naquela noite, a crise deixou de ser apenas retórica.