De transferências que levavam dias a liquidações em segundos, 24 horas por dia. Conheça a linha do tempo dos sistemas que mudaram o dinheiro — e como o brasileiro Pix se tornou referência global.
Um sistema de pagamento instantâneo permite transferir dinheiro entre contas em segundos, disponível 24 horas por dia, 7 dias por semana, inclusive feriados. Diferentemente das transferências tradicionais (que dependiam de janelas bancárias e lotes processados em horários fixos), esses sistemas liquidam em tempo real.
O conceito ganhou força a partir de 2008, mas explodiu na década de 2010 com a popularização dos smartphones. Hoje, dezenas de países operam suas próprias plataformas — muitas delas públicas, gratuitas e interoperáveis, como o modelo que o Brasil consagrou com o Pix.
Os principais sistemas, em ordem cronológica de lançamento
Pioneiro mundial dos pagamentos quase em tempo real. Reduziu de três dias para segundos as transferências entre bancos britânicos. Serviu de inspiração e prova de conceito para praticamente todos os sistemas que vieram depois.
Lançado em agosto de 2010 como parte do CNAPS II, sob o Banco Popular da China (PBoC) e operado pelo China National Clearing Center. Rede interbancária 24/7 que conecta a maioria dos bancos do país. Foi gratuito até 2018 para impulsionar a adoção e coexiste com gigantes privados como Alipay e WeChat Pay.
Criado por um consórcio de grandes bancos suecos, vinculado ao número de celular. Tornou-se peça central da sociedade quase sem dinheiro físico da Suécia, usado de feiras de rua a igrejas e pequenos comércios.
Sistema baseado em códigos de 6 dígitos gerados no app do banco. Funciona para compras online, em lojas físicas e saques em caixas eletrônicos sem cartão. Domina o e-commerce polonês.
Talvez o sistema de maior escala do planeta. Plataforma aberta que conecta múltiplos bancos e apps (Google Pay, PhonePe, Paytm) em uma única camada interoperável. Processa dezenas de bilhões de transações por ano e é referência mundial em inclusão financeira.
Iniciativa do governo e do banco central tailandês, vinculada ao CPF nacional ou ao número de celular. Impulsionou a digitalização de pagamentos sociais, salários e comércio popular no país.
Resposta dos grandes bancos americanos aos apps de transferência (como Venmo e Cash App). Integrado diretamente ao app dos bancos, foca em transferências P2P rápidas entre pessoas usando e-mail ou telefone.
Primeira rede de liquidação em tempo real dos EUA em décadas, operada pelo consórcio privado The Clearing House. Voltada principalmente a transações entre empresas e à infraestrutura interbancária.
Padrão pan-europeu que permite transferências em euro em menos de 10 segundos entre países membros. Cria uma base comum de interoperabilidade para toda a zona do euro, independentemente do banco ou país.
Vinculado ao número de celular ou ao documento de identidade nacional. Integrou-se posteriormente ao PromptPay tailandês, criando uma das primeiras pontes internacionais de pagamento instantâneo via QR Code.
Infraestrutura nacional com o sistema de endereçamento "PayID", que permite enviar dinheiro usando e-mail ou telefone em vez de dados bancários. Inclui o serviço de pagamentos Osko sobre sua estrutura.
Lançado em 23 de abril de 2018 pelo Bangko Sentral ng Pilipinas (BSP), dentro do National Retail Payment System. Esquema de crédito em tempo real para valores de até PHP 50 mil, ideal para varejo e e-commerce. Convive com o complementar PESONet para valores maiores.
Desenvolvido e operado pelo Banco Central do Brasil, gratuito para pessoas físicas e disponível 24/7. Combina chaves simples (CPF, e-mail, telefone, aleatória) e QR Code numa plataforma totalmente interoperável. Tornou-se em poucos anos um dos casos de adoção mais rápidos e bem-sucedidos do mundo, hoje estudado como modelo internacional.
Sistema instantâneo do banco central paquistanês, criado com forte foco em inclusão financeira e digitalização de uma população amplamente desbancarizada. Inspirado em modelos como UPI e Pix.
Serviço oficial do Federal Reserve (o banco central americano) para pagamentos instantâneos. Complementa o RTP privado e leva a liquidação em tempo real a milhares de instituições financeiras americanas de todos os portes.
Carteira de pagamentos europeia lançada para unificar soluções nacionais (como o francês Paylib) numa alternativa continental aos sistemas americanos de cartão. Aposta na soberania digital europeia.
O fenômeno dos pagamentos instantâneos em números — com destaque para a adoção acelerada do Pix no Brasil.
Cada bandeira marca o ano em que o sistema entrou em operação — passe o mouse para ver o país e o sistema