Timeline dos eventos — atualizado em 20 de maio de 2026 · Fonte: Gazeta do Povo / Agência Brasil / NPR
La Paz — Wikimedia Commons
Evo Morales, de esquerda, governa a Bolívia por mais de uma década. Em 2019, após suspeitas de fraude eleitoral e pressão das Forças Armadas, renuncia e parte para o exílio. O episódio divide o país e acende uma tensão política permanente entre esquerda e direita.
Bandeira da Bolívia — Wikimedia Commons
Rodrigo Paz, candidato de centro-direita, é eleito presidente da Bolívia. Morales e seus aliados são derrotados de forma expressiva nas urnas. A vitória representa uma virada ideológica no país. Paz, porém, assume sem maioria parlamentar — o Partido Democrata Cristão (PDC) que o levou ao poder se fragmenta logo após as eleições.
Wiphala — símbolo do movimento indigenista — Wikimedia Commons
Manifestações lideradas pela Central Operária Boliviana (COB), sindicatos de camponeses e mineiros começam com reivindicações salariais e rejeição à Lei 1.720 — lei fundiária acusada de favorecer a concentração de terras. Rapidamente evoluem para bloqueios de rodovias em La Paz, Oruro e Cochabamba com pedidos de renúncia do presidente.
Evo Morales — Wikimedia Commons
O ex-presidente Evo Morales assume papel ativo na organização das manifestações, descrevendo os bloqueios como uma "elevação do povo" — enquadrando os ataques como resistência popular legítima contra o governo eleito.
Revogação da Lei 1.720
Cedendo à pressão das ruas, o presidente Rodrigo Paz revoga a Lei 1.720 — o estopim imediato das manifestações. A concessão, porém, não satisfaz os manifestantes: os bloqueios continuam e o movimento radicaliza as exigências, passando a exigir a renúncia total do governo.
La Paz — Wikimedia Commons
Duas semanas de bloqueios causam colapso logístico em La Paz. Veículos de emergência são barrados pelos manifestantes — ao menos 3 pessoas morrem por não conseguirem chegar a hospitais. As reservas de oxigênio hospitalar se esgotam. Mercados ficam sem abastecimento. O governo registra também ataques a prédios públicos, saques e queima de viatura policial, com 10+ feridos e 69+ detidos.
EUA — Wikimedia Commons
O vice-secretário de Estado dos EUA, Christopher Landau, faz declaração contundente:
"Aqueles que perderam de forma esmagadora nas urnas estão tentando derrubar o presidente." — Christopher Landau, Vice-Secretário de Estado dos EUA
Washington classifica explicitamente os eventos como uma tentativa de golpe contra um governo eleito democraticamente.
União Europeia — Wikimedia Commons
A União Europeia, em tom distinto dos EUA, emite comunicado conjunto com as embaixadas de Alemanha, Espanha, França, Itália e Suécia na Bolívia. O bloco condena a violência, mas opta por linguagem diplomática: pede calma e diálogo sem nomear responsáveis.
OEA — Wikimedia Commons
O Grupo IDEA — coletivo com 31 ex-presidentes da América Latina — solicita formalmente à OEA que acompanhe de perto a situação, sinalizando preocupação regional com a estabilidade democrática boliviana.
La Paz — Wikimedia Commons
La Paz enfrenta o pior momento desde o início dos protestos. A capital política da Bolívia está virtualmente sitiada pelas manifestações após mais de duas semanas de bloqueios contínuos. O abastecimento de alimentos e medicamentos colapsa. A NPR e a Agência Brasil reportam que a crise se aprofunda sem solução à vista, enquanto Paz enfrenta a maior ameaça ao seu governo — com apenas seis meses no cargo e sem maioria parlamentar.
Rodrigo Paz — Wikimedia Commons
O presidente Rodrigo Paz abandona a postura defensiva e passa ao ataque, acusando os manifestantes de tentar "destruir a democracia":
"Aqueles que no passado tentaram destruir esta democracia irão para a cadeia." — Rodrigo Paz, Presidente da Bolívia — 20/05/2026
Analistas consultados pelo Brasil de Fato criticam a postura: "Rodrigo Paz tenta se sustentar na base da repressão". O governo enfrenta isolamento parlamentar crescente, com seu próprio partido fragmentado no Legislativo.